sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Materia publicada Jornal Nitro




A canoagem, canoeing ou kayaking é uma modalidade para quem não tem medo de água, e está disponí­vel a fazer força nos braços, quadris e per­nas. Pode ser praticado em modalidades competitivas, ou como esporte de aven­tura, percorrendo percursos artificiais ou descendo quedas d’água com mais de 7 metros de altura. Agilidade, precisão, for­ça muscular explosiva, raciocínio rápido e um monte de adrenalina fazem parte desta modalidade em que o grande pro­tagonista é uma embarcação chamada kayak. Ela pode ser pilotada ou navega­da também por crianças e famílias, em passeios por águas mais calmas, como forma de lazer, ou por iniciantes, em “es­colinhas” da modalidade.
Sabe-se com certeza que o kayak, ou caiaque, como é conhecido em portu­guês, ou ainda canoe, de origem inglesa, é uma embarcação criada pelos povos das regiões árticas, e sua história está li­gada aos Inuits e às tribos das ilhas atletas. Os primeiros registros de kayaks são de aproximadamente 6 mil anos atrás, e seu nome significava “barco de caçador”. Existia também uma versão conhecida por “umiaqs”, embarcações maiores que transportavam famílias inteiras. O kayak era uma embarcação furtiva e permitia aos caçadores aproximarem-se rápida e silenciosamente de suas presas aquáti­cas. Eles eram construídos com peles de animais, sobre uma estrutura de madeira ou de ossos de baleia, e usavam a gordu­ra daquele mamífero para impermeabili­zar as embarcações.
Quando os primeiros exploradores e colonizadores europeus chegaram à re­gião ártica, logo se depararam com este tipo de embarcação, que também era utilizada por povos da América do nor­te, compreendendo a região do Alasca e partes do atual Canadá, que as utiliza­vam para navegação fluvial.
A sua versão moder­na surgi pelas mãos do escocês John MacGre­gor, que, ao retornar dos Estados Unidos para a Inglaterra, por volta dos anos de 1860, resolveu construir um barco “estilo kayak”, que batizou com o nome de “Rob Roy”. Em 1865, devido ao grande su­cesso que MacGregor vinha fazendo com o Rob Roy em suas expe­riências na Europa e no Oriente Médio, atravessando com sucesso rios cheios de corredeiras e obstáculos, o pai da nova embarcação funda o Clube Real de Canoagem, em Londres, realizando as primeiras regatas no velho continente, despertando o interesse europeu pela modalidade.
Em 1877, foi realizada, na Bélgica, a primeira regata da qual se tem registro oficial. O negócio fica sério quando em 1924 é fundado o Internacional Reprä­sentantenschaft Kanusport –IRK, em Copenhague, na Dinamarca, estabele­cendo as origens federativas do esporte. Nos jogos de Berlim, na Alemanha, em 1936, a canoagem entrava no programa de competições das olimpíadas e, em 1946, o IRK se transformaria no Interna­tional Canoe Federation –ICF, membro do Comitê Olímpico Internacional –COI. No ano de 1972, nos Jogos Olímpicos de Munique, a modalidade “Slalom” em águas brancas apareceu como esporte de demonstração. Nos Jogos Olímpicos de Barcelona, em 1992, o Slalom teve sua presença válida no quadro de medalhas e, de lá pra cá, a modalidade virou olímpi­ca, sendo praticada atualmente em mais de 150 países, nesses mais de 85 anos de história.
NO BRASIL
O alemão José Wingen foi o respon­sável pela introdução da canoagem no Brasil. Migrou da Alemanha, em 1941 e, em 1943, residiu no município de Estrela­-RS, banhado pelo rio Itaqui. Naquele mesmo ano, construiu uma embarca­ção de madeira idêntica a usada na sua infância, quando competia pelo Kanu Club, da Alemanha. O caiaque de Wingen chamou a atenção da comunidade local, despertando o interesse pela prática do esporte, contudo, com a construção da represa de Bom Retiro e o nivelamento do rio Itaqui, ficou impossibilitada a prá­tica e o desenvolvimento da modalidade naquele momento.
A forte presença de europeus no Bra­sil manteve aceso o interesse pelo espor­te. O que fez com que durante os anos de 1970 o carioca Leopoldo Ávila mantives­se contato com o inglês Alan Byde, autor de livros sobre canoagem e, em 1979, a convite de Ávila, veio ao Brasil para mi­nistrar palestras e cursos sobre a moda­lidade.
Em 1980, Uwe Peter Kohnen fundaria a Associação Carioca de Canoagem, dando prosseguimento à expansão do esporte em nosso território. A 1ª Prova oficial de Canoagem de Águas Brancas ocorreu em 1984, no Rio Preto, em Visconde de Mauá - RJ. O sucesso do esporte levou à criação da Confederação Brasileira de Canoagem – CBCa, em 1988. Gustavo Selbach, atleta gaúcho, conquistou a primeira medalha em Campeonato Mundial para o país, em 1992, na modalidade de Slalom, na No­ruega, onde obteve o bronze.
O Brasil teve sua estreia como sede internacional da modalidade em 1997, com o Campeonato Mundial de Slalom, em Três Coroas-RS. O Campeonato, que é realizado desde 1949, ocorreu somente cinco vezes fora da Europa, sendo duas delas no Brasil, em 1997 e em 2007.
SANTA CATARINA
Os encantos da “bela Catarina”, com seus rios e cascatas em tamanhos e flu­xos diferenciados, permitem provas e circuitos mansos para os iniciantes, ou ousados e adrenalizados desafios para os atletas mais graduados. A história da ca­noagem em Santa Catarina ainda precisa ser contada, mas ela também está ligada às origens germânicas de muitas de nos­sas comunidades. Não por acaso, um dos mais tradicionais grupos de canoagem do estado foi fundado em Jaraguá do Sul, em 1988, o Clube de Canoagem Kentu­cky. Desde sua fundação, o Kentucky tem disputado provas nos circuitos regionais, nacionais e em provas internacionais, com resultados positivos. O clube tem ajudado a difundir a modalidade nas ter­ras (ou águas) catarinenses, e mostrado o potencial do estado para atletas de todo o mundo. O estado tem vários circuitos para a modalidade e os points mais co­nhecidos para a prática de águas bran­cas são: Rio Engano, em Angelina; Rio Cubatão do Sul, em Águas Mornas; Rio dos Cedros, na própria cidade de Rio dos Cedros; Rio Braço do Norte, em Anitápo­lis; Rio Itapocu, Rio Vermelho e Rio Humboldt, em São Bento do Sul e Corupá, entre outros.
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